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São Luís

Prefeitura encerra projeto formativo sobre tambor de crioula para escolas e comunidades

Ação envolveu alunos e professores da rede municipal e teve como objetivo valorizar uma das maiores manifestações culturais do Maranhão

Professores e coordenadores da rede municipal de ensino participaram de oficina com mestres de tambor de crioula nesta quarta-feira (9), das 9h às 17h, na Galeria Trapiche, localizado em frente ao Terminal de Integração da Praia Grande. A ação formativa marcou o encerramento do Projeto Punga de Saberes, que é promovido pela Prefeitura de São Luís, por meio das secretarias de Cultura (Secult) e Educação (Semed), em parceria com o Comitê Gestor de Salvaguarda do Tambor de Crioula e apoio do Conselho Municipal de Cultura (Comcult).

“Esta oficina com professores e coordenadores pedagógicos marca o término do Projeto Punga de Saberes, uma iniciativa que vem fortalecer o tambor de crioula por meio de ações formativas que também aconteceram em escolas municipais e comunidades. O projeto valoriza nossa cultura local e contribui para a sua sustentabilidade na medida em que dissemina esse saber para as novas gerações”, destaca o secretário municipal de Cultura, Marlon Botão.

A oficina foi facilitada pela mestra Roxa e mestres Gonçalo e Chico Broca, além de contar com a presença de outros mestres de tambor. O evento proporcionou aos professores e coordenadores pedagógicos aprendizado sobre o que é a manifestação, o nome dos instrumentos usados, o papel de cada um na roda e experimentaram tocar a parelha (conjunto de tambores) e cantar algumas toadas, além de esquentar, no fogo, o couro dos tambores. Também teve oficina de dança com as coreiras, que mostraram o bailado e a punga ou umbigada – gesto característico, entendido como saudação e convite à dança.

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A coordenadora do projeto, Graça Souza, destaca que a importância do projeto para professores e alunos. “Me sinto feliz em receber professores e coordenadores, que respeitam a cultura e vão utilizar esse conhecimento em sala de aula”, pontua. Já a coordenadora do Núcleo de Educação e Cultura da Semed, Joseana Lisboa, faz uma avaliação positiva, afirmando que “o tambor de crioula é um dos elementos formadores da nossa cultura, por isso, que venham mais projetos como esse e que a escola aprenda a valorizar ainda mais a nossa cultura”.

A oficina reafirma o compromisso com o tambor de crioula, de acordo com o coordenador geral do Comitê Gestor de Tambor de Crioula do Maranhão, Lázaro de Oliveira. “Precisamos garantir a continuidade desse bem cultural com atividades que o perpetuem em vários espaços de aprendizagem”, afirma.

Maria da Graça Mota Belfort, mais conhecida como mestra Roxa, foi uma das facilitadoras da oficina e relembra que começou a dançar aos 7 anos, com os pais, que eram donos de um grupo de tambor na comunidade Santa Rosa dos Pretos, no município de Itapecuru Mirim. “Fiquei satisfeita em participar do projeto. Tenho ministrado oficinas em vários estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Atualmente, sou mestra nos grupos de tambor de crioula União de São Benedito (fundado por Mestre Felipe) e Rosário de São Benedito (Laborarte)”, destaca.

A professora Wagna Viana Veras fala que é relevante fazer um resgate em sala de aula sobre os patrimônios materiais e imateriais, ancestralidade e valores culturais. “Amo tambor de crioula e tudo que é festivo da cultura maranhense. Vou levar o que eu aprendi aqui para os meus alunos”, planeja.

COMUNIDADES

A etapa Comunidades do Projeto Punga de Saberes iniciou no sábado (5), no anexo da Escola Comunitária Oswaldo de Sousa, na comunidade Taim, em São Luís, com a participação dos mestres Corrêa, Francisco Barros, Thomazinho e Thomaz Pereira.

O Bairro de Fátima foi a segunda comunidade a receber a oficina, na segunda-feira (7), às 17h, na Praça Coxinho, com a participação dos mestres Eustácio, Corrêa, Hugo Bolota, Gonçalo, Edson e mestra Maria do Coco. Gonçalo Bispo dos Santos é mestre do tambor Mocidade Independente do Bairro de Fátima e conta que “é uma satisfação ver o grupo de mestres ser uma irmandade unida e não deixar nossa brincadeira ser esquecida”.

A professora Marta Portugal é moradora do Bairro de Fátima e compartilha que a oficina é muito importante principalmente para a juventude. “Colocar os jovens para vivenciar a cultura afro é fundamental para o processo de aprendizagem”, acrescenta.

Na terça-feira (8), a oficina aconteceu na Associação Folclórica Bumba Meu Boi da Fé em Deus, facilitada pelos mestres Antônio Ribeiro e Maria Anastácia Diniz. Antônio Ribeiro, que também é presidente da Associação e do Tambor de Crioula Amor de São Benedito, pontua que “as comunidades são ideais para sediar eventos com esse, porque facilita o acesso do público e incentiva mais pessoas a participar”. Toda a família de seu Antônio está envolvida com o tambor, inclusive seus netos Inácio, 7 anos, e Bazilio, 1 ano e 10 meses.

PROJETO

O Projeto Punga de Saberes foi aprovado no Edital Nacional para Bens Registrados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e visa apoiar e fomentar o tambor de crioula, através de ações educativas, de formação e de transmissão de saberes tradicionais, disseminando essa manifestação cultural.

Ao todo foram atendidas 10 escolas da rede municipal de ensino na primeira fase do projeto. Foram realizadas ações nas escolas U.E.B. Hortência Pinho, no bairro Coqueiro; Ministro Mário Andreazza, na Liberdade; Galileu Clementino Ramos Santos, no bairro Cruzeiro de Santa Bárbara; e Estudante Edson Luís de Lima Souto, no Anjo da Guarda.

Também houve atividades na U.E.B. Professor José Gonçalves do Amaral Raposo e na Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo, ambas localizadas em Pedrinhas; Rosário Nina, no Bairro de Fátima; Evandro Bessa, na Estiva; João do Vale, no bairro Gapara; e Professor Carlos Saad, na Vila Mauro Fecury I.

O tambor de crioula é reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil, é uma expressão cultural com descendência africana, considerada um referencial de identidade e resistência cultural dos negros, que envolve dança circular, canto e percussão de tambores. O projeto teve como um dos objetivos valorizar este que é um dos maiores bens culturais do Maranhão.

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