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São Luís

Hospital Guarás: Escala de trabalho pode adoecer enfermeiros, técnicos e prejudicar pacientes

Suposto documento que os profissionais de enfermagem estariam obrigados a assinar para permanecerem empregados no Hospital Guarás

Suposto documento que os profissionais de enfermagem estariam obrigados a assinar para permanecerem empregados no Hospital Guarás

O Hospital Guarás, uma das unidades de atendimento do plano de saúde Hapvida, em São Luís, localizado no Bairro de Fátima, tem sido alvo de denúncias que partem de seus próprios funcionários.

Profissionais da enfermagem afirmam que estão sendo obrigados, pelo hospital, ao cumprimento de uma jornada de trabalho desgastante de 12 por 36 horas, decidido em uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Quem não concordar com a escala, considerada abusiva por muitos, será demitido, segundo informações dos próprios funcionários.

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Procurado pelo O Quarto Poder, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MA), através de secretário da entidade, Jamson Oliveira, se manifestou sobre o caso.

“O Coren-MA repudia, de forma veemente, a atitude da diretoria do Hospital Guarás, em coagir os profissionais a assinarem este documento para aceitar essa escala 12 por 36 horas, que é uma escala altamente danosa à saúde do trabalhador e, também, visa reduzir o quadro, e reduzindo o quadro, você reduz a qualidade da assistência, o que leva ao rico de morte dos pacientes”, afirmou Jamson.

A escala 12 por 36 horas é permitida apenas para os enfermeiros do Estado do Maranhão, já que o SEEMA – Sindicato dos Enfermeiros do Maranhão –  em convenção coletiva, contrariando a vontade da categoria, permitiu a aprovação da escala. Mas o Sindicato dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem do Maranhão, não permite este tipo de escala.

convenção

“Eles estão obrigando todos os profissionais, tanto técnicos, como enfermeiros, a assinarem este documento para que a escala vigore para as duas categorias […] Estes quesitos de escala são da ossada sindical, entretanto, o Coren-MA não se furta de ter posicionamento, portanto, repudiamos a conduta da direção do Hospital Guarás”, disse o representante do Conselho.

DENUNCIA AO MPT

O Coren-MA deve oficializar uma denuncia contra o Hospital Guarás no Ministério Público do Trabalho, na intenção de provocar a Justiça a se manifestar em favor do profissionais de enfermagem que atual naquela empresa.

MANIFESTAÇÃO DO SINDICATO

De acordo com informações levantadas pelo O Quarto Poder, amanhã, segunda-feira (19), o Sindsaude – Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem e Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde do Estado do Maranhão – promoverá uma mobilização, com carro de som, em frente ao Hospital Guarás, convocando todos os profissionais da enfermagem do hospital a participarem.

Escala do Hospital Guarás pode gerar a síndrome de burnout

Baixa concentração, cansaço físico, emocional ou mental extremo provocado pelo excesso de pressão no trabalho. Estas são algumas características de um risco ocupacional que tem merecido diversos estudos: a síndrome de burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional.

Considerada por muitos como a “doença do século”, em razão do estresse que pesa sobre o profissional da sociedade moderna, essa síndrome ocorre quando a dedicação e as exigências impostas pelo trabalho sugam, ou “queimam” tanto a energias do profissional que, simplesmente, ele não aguenta mais!

Segundo estudiosos, a síndrome de burnout atinge, principalmente, os profissionais da área da saúde, educação e assistência social. Mulheres que enfrentam dupla jornada, em casa e no trabalho, também correm risco maior de desenvolver o transtorno.

De acordo com o Dr. Drauzio Varella, a principal característica da síndrome de burnout é o estado de tensão emocional e estresse crônicos provocado por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes. O profissional sofre, além de problemas de ordem psicológica, forte desgaste físico, gerando fadiga e exaustão.

Os enfermeiros, pelas características do seu trabalho, estão também predispostos a desenvolver burnout. Esses profissionais trabalham diretamente e intensamente com pessoas em sofrimento, o que lhes gera forte desgaste emocional.

A síndrome de burnout têm sido objeto de inúmeras ações trabalhistas. Os profissionais, muitas vezes os mais dedicados, após ficarem doentes, esgotados, ou mesmo totalmente incapacitados para o trabalho, procuram a Justiça pretendendo receber dos empregadores indenização pelos prejuízos decorrentes dos elevados níveis de pressão e estresse aos quais foram submetidos em sua lida diária.

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