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Eventos e Cultura

Dumbo mostra os extremos vividos pelos circos, diz coreógrafo

Kristian Kristof trabalhou com Tim Burton na criação de cenas grandiosas "nunca antes vistas" em contraste com o deteriorado circo tradicional

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Todos aqueles que trabalham e vivem do circo falam do picadeiro e de tudo que o cerca com uma paixão e um brilho no olhar que pouca vezes vemos. Ao conversar com um integrante da companhia Nau de Ícaro, ele contou que o circo respira — graças à lona que se infla e esvazia — o local onde está. Em um mundo acostumado ao pasteurizado dos ar-condicionado, nos proporciona a vivencia local à moda antiga.

Outro apaixonado pela arte é Kristian Kristof, coreógrafo de circo do novo filme Dumbo, que demonstra esse mesmo nível de envolvimento e entrega pela arte em extinção a cada resposta dada por ele.

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Nascido e criado embaixo de uma tenda, o húngaro é a quarta geração de uma família circense e se orgulha de poder colocar sua arte em outro meio, tudo o que ele viveu nos circos pelos quais passou. Tudo se baseia no tradicional e clássico circo de baixo da lona. Mesmo os momentos mais grandiosos de um mundo dos sonhos, em que a inspiração nos modernos espetaculos circenses atuais podem ser percebidas pelo público, a inspiração no tradicional está presente. Kristof define estes dois mundos apresentados no longa como os extremos. E ele usa as paradas de apresentação para demonstrar tal polaridade.

“Nós estávamos procurando por extremos para separar visualmente os dois mundos do filme. Nós quisemos retratar as dificuldades que os circos menores tem. Dificuldade para conseguir um público, para mostrar uma atração. Então, quando a parada do circo dos Irmãos Médici chega à uma cidade nós quisemos passar uma impressão de algo desgastado, puido. E como a apresentação feita pelo personagem do Danny DeVito dá vida àquilo, com ele tentando mostrar algo melhor do que é apresentado ali. Enquanto isso, quando nós vamos para a “Dreamland” de Vandevere, nós temos uma parada, também, e ela explode a sua cabeça, é o outro extremo, a perfeição. Ela é precisa, glamurosa, bela. Ela demonstra toda a riqueza”.

Para fazer com que estas diferenças fossem ainda maiores e mais evidentes Kristian teve o que define como seu principal desafio.

“No mundo de Vandevere nós temos coisas maiores e melhores do que a realidade e este foi meu principal desafio: pensar grande. Foi dado a mim este desafio e eu tinha de me lembrar de pensar grande, pois de alguma maneira, minha mente estava presa ao chão. Então nós conseguimos criar algo real, mas que nunca tinha sido feito antes”

Há de se questionar, atualmente, sobre um filme de circo cujo protagonista é um animal e no qual diversos bichos são utilizados. Em muitos lugares esta prática é proibída e, mesmo nos locais onde há a permissão, existe uma preocupação no público. Segundo o coreógrafo, os circos que possuem animais vivos em seu elenco seguem normas rigorosas de bem estar. Ele diz que os exercícios auxiliam no desenvolvimento dos animais, assim como os feitos por zoológicos, e que alguns ficam ansiosos pela apresentação no picadeiro, como os humanos.

O húngaro faz questão, ainda, de ressaltar o diretor da produção, Tim Burton, que retorna à cadeira depois de nove anos apenas produzindo longas. “Eu não gosto de usar a palavra ‘gênio’ com muita frequência, mas eu tenho que falar que Tim Burton é um verdadeiro gênio, um visionário. O cérebro dele é muito rápido, então ele absorve as informações muito rapidamente e ele é muito focado. Então, quando eu tinha de mostrar algo a ele, eu tinha de ser o mais breve, direto e visual o possível. Na verdade, foi muito fácil, porque nós sempre sabíamos para qual lado deveríamos ir”.

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