×

Publicidade

Celebridades

Globo de Ouro 2019: a transformação do ator Rami Malek para viver Freddie Mercury

Rami Malek para sobre o esforço que teve de fazer para evitar que sua interpretação do cantor do Queen parecesse uma paródia.

Pergunte a qualquer pessoa que faz imitações qual é a chave do sucesso. Ele ou ela vai te explicar que sempre procura uma “marca” do imitado: um traço físico, um cacoete, ou um “tique” da pessoa a ser imitada, para ajudar a construir o personagem.

Para imitar o ator americano Robert De Niro, por exemplo, a frase é “está falando comigo?”, celebrizada pelo personagem dele no filme Taxi Driver. No caso da cantora britânica Adele, é a sua risada peculiar.

Para o ator Rami Malek, converter-se em Freddie Mercury foi tão fácil quanto aprender a dizer “awlright” – o jeito peculiar que Mercury tinha de pronunciar a palavra inglesa “alright” (que significa “tudo bem” ou “de acordo”).

Continua após a Publicidade

No set de filmagens de Bohemian Rhapsody, o “awlright” de Mercury/Malek se tornou uma espécie de senha do ator para dizer que estava pronto para entrar em ação.

“Quando as pessoas no set me ouviam dizer ‘awlright’, isso queria dizer ‘mexam-se, vamos nessa!'”, conta Malek.

Mas o retrato que o ator americano fez da estrela do Queen é muito mais que uma imitação.

O mundo de Mercury

Malek dominou os trejeitos e a postura característica de Mercury nos palcos.

Tanto é que, ao assistir à recriação, no filme, do show do Queen no concerto Live Aid, em 1985, é fácil esquecer que não se está vendo a apresentação real.

A interpretação também levou em conta a psiquê do cantor, para revelar uma alma vulnerável e ansiosa, de alguém que renega seu nome de nascimento, Farrokh Bulsara, e cujo alter-ego só desperta na frente dos holofotes.

“Há algo de muito agitado nele”, diz Malek.

“Tem um lado passional, que anseia sentir-se parte de uma comunidade, encontrar amor, companheirismo… mas de alguma maneira há uma sensação de distância.”

Foi difícil descobrir o verdadeiro Mercury. Sabe-se que ele era irritável nas entrevistas à imprensa, que encarava como uma tarefa e nas quais descrevia a si mesmo como um “dândi” e uma “prostituta musical”, ao invés de falar sobre coisas íntimas.

Mercury teve uma morte prematura, em 1991, provocada por uma pneumonia relacionada à Aids. E não deixou nenhuma autobiografia que revele detalhes de seus pensamentos mais íntimos.

“Segui buscando caminhos para chegar ao homem, e então me dei conta de que ele nos deixou um diário: todas as suas músicas”, disse Malek.

Duas das músicas mais reveladoras são “Lily of the Valley” e “You Take My Breath Away”, ambas mais tranquilas e contemplativas que a confiança a prova de balas de “Don’t Stop Me Now” ou “Another One Bites the Dust”.

“Acredite em mim, eu insisti para que estas canções estivessem no filme, porque me deram muita informação sobre Freddie”, diz o ator. “Mas ninguém canta estas duas no karaokê”, diz ele.

Cena do longa "Bohemian Rhapsody" — Foto: DivulgaçãoCena do longa "Bohemian Rhapsody" — Foto: Divulgação

O filme é acusado de esconder o “Freddie Mercury da vida real” e tratar apenas de seus excessos: o sexo, as drogas, as festas com camareiros pelados e anões levando bandejas de cocaína na cabeça.

Outros temiam que a história de Freddie fosse “heterossexualizada”. Mas, apesar de o filme mostrar sua relação com sua parceira de fato, Mary Austin, a bissexualidade escondida de Mercury é uma parte essencial do roteiro.

“Não é um documentário”, sublinha Malek, “E nós tomamos licenças com a cronologia (dos fatos históricos) porque tínhamos duas horas para contar a história”, diz.

“Em alguns momentos foi bem complicado. Tivemos de nos perguntar: ‘vamos mostrá-lo quando criança, em Zanzibar (na costa africana)?’, ‘vamos mostrá-lo no internato em St. Peter (na Índia)?’. Essas coisas chegaram a ser filmadas, mas nos demos conta de que tínhamos tempo limitado”, diz.

“Foi assim que chegamos a escolher este período (mostrado no filme), que vai do começo dos anos 1970 até 1985. A ideia era celebrar este ser humano”, diz Malek.

Imagem relacionada

O compromisso de Malek

Era impossível duvidar do comprometimento de Malek com o papel.

Ele passou por um teste de seis horas, muito antes que o filme tivesse sequer conseguido financiamento para ser feito; e passou horas estudando vídeos do Queen gravados por fãs da banda para adquirir os maneirismos de Mercury e sua forma de se movimentar no palco.

Ver comentários
Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.