São Luís “noiada” – Retorno da Forquilha vira cracolândia local

Postado em 30 mai 2010 - 1:02pm Da Redacao
|
Categorized as
Sem categoria
336

cachimbo de lataPor Udes Filho -

São Luís, a exemplo de São Paulo, também tem uma cracolândia – por derivação de crack - é uma denominação popular para uma região no centro da cidade de São Paulo, onde historicamente se desenvolveu intenso tráfico de drogas e prostituição.

De um lado, uma pousada (espécie de motel barato), do outro, um trailer que vende bebidas alcoólicas e cigarros, até altas horas. Este é o território livre, em São Luís, para o encontro de traficantes, prostitutas e viciados em crack. A cracolândia ludovicense fica a poucos metros de uma igreja evangélica, bem próxima ao retorno do bairro Forquilha.

De segunda a segunda, o trafico de crack e a prostituição acontecem normalmente, na cracolândia local. São jovens que vendem crack ou se prostituem para poder pagar o vício. Tudo isso acontece aos olhos de quem quiser ver, à beira da estrada de São José de Ribamar.

Nossa equipe de reportagem conversou com Adriana Gomes da Silva, viciada em crack, de 31 anos, que relatou ter conhecido a droga há apenas seis meses, por intermédio de um namorado. Segundo Adriana, o crack é o próprio demônio. Ela contou que tinha um carro popular e que era funcionária pública estadual, mas que acabou perdendo tudo por conta do vício. “Teve um dia em que não consegui mais ir ao trabalho, comecei a usar crack 24 horas por dia, vendi meu carro e fumei tudo”, disse Adriana.

As viciadas da cracolandia têm entre 20 e 35 anos, todas se prostituem, algumas pegam a droga para revender e, assim, sustentar o vicio. Quem revende o crack, na cracolandia, corre o risco de consumir a droga toda e se tornar refém dos traficantes. Para saldar as dívidas com o tráfico, alguns viciados recorrem a assaltos e arrombamento de veículos, nas proximidades das Chopperias do bairro Forquilha. O clima entre os viciados é de muita tensão, discutem por qualquer coisa, e constantemente se agridem.

As autoridades têm conhecimento da existência da cracolândia no retorno da Forquilha, mas, entretanto, nada de efetivo é feito para coibir o tráfico e o consumo de crack no local. Viaturas da Polícia Militar passam em frete à cracolândia, mas, raramente, fazem alguma abordagem. A falta de um policiamento repressor faz com que o retorno da Forquilha se torne um verdadeiro território livre para a venda e o consumo do crack.

Aumento da criminalidade

Por ser uma droga de preço baixo e ter efeito de curta duração, os viciados querem sempre mais. A necessidade de sempre precisar consumir mais da droga, acaba levando o usuário a fazer qualquer coisa para conseguir mais crack, de pequenos furtos a crimes mais sérios. A chegada do crack a São Luís, coincide com o aumento dos assaltos seguidos de morte, na capital.

Destruição da família

Viciados em crack já são a maioria nas clínicas para dependentes químicos, e o número de usuários da droga não para de crescer.
Em São Luís, muitas famílias vivem o mesmo drama. A droga destrói a vida dos filhos, das mães e de todos os parentes. De acordo com a mãe de um dos usuários, por causa do entorpecente, o filho fica agressivo. Ele precisou vender tudo o que tinha, até a roupa do corpo, para manter o vício.
Em muitos casos, a internação e o tratamento médico não são suficientes para resolver o problema.

Deputado contra o crack

O deputado Chico Leitoa (PDT), integrante da Comissão de Segurança Pública e Cidadania, defendeu, na quinta-feira  (27), que a Assembleia Legislativa se engaje na luta contra o avanço do crack no país. Ele informou que está fazendo estudos e ouvindo especialistas para apresentar um programa de enfrentamento da droga e adiantou que uma das ações terá o objetivo de evitar que crianças tenham acesso ao crack.

O crack está dizimando a juventude do Brasil. A coisa é muito mais grave do que está parecendo. As mães desesperadas vendo os filhos vendendo televisão, empenhando bicicleta, fazendo todo tipo de negociação para comprar o crack, declarou.

Combate nacional ao crack

Até o fim do mandato, o combate ao crack deve ser a prioridade de Lula. R$ 410 milhões previstos no Plano Integrado para Enfrentamento do Crack, serão investidos no treinamento de profissionais da rede pública de saúde e assistência social para tratamento de usuários e famílias.

Segundo Lula, o plano também prevê a reinserção social e ocupacional dos ex-usuários. O presidente disse que o crack ‘ é uma droga nova, devastadora’, que por ser muito barata alcança muitos usuários e que o governo precisará do apoio de estados, municípios e da sociedade civil para enfrentar o problema.

Conhecendo a droga

O crack deriva da planta de coca, é resultante da mistura de cocaína, bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada, resultando em grãos que são fumados em cachimbos.

O surgimento do crack se deu no início da década de 80, o que possibilitou seu fumo foi a criação da base de coca batizada como livre.

O consumo do crack é maior que o da cocaína, pois é mais barato e seus efeitos duram menos. Por ser estimulante, ocasiona dependência física e, posteriormente, a morte por sua terrível ação sobre o sistema nervoso central e cardíaco.

Devido à sua ação sobre o sistema nervoso central, o crack gera aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremores, excitação, maior aptidão física e mental. Os efeitos psicológicos são euforia, sensação de poder e aumento da auto-estima.

A dependência se constitui em pouco tempo no organismo. Se inalado junto com o álcool, o crack aumenta o ritmo cardíaco e a pressão arterial o que pode levar a resultados letais.

Leave A Response